A menina do CIC
Rosângela Rosa Lorenzi nasceu em Porecatu, no norte do Paraná, e chegou a Curitiba com 6 anos de idade, junto com os pais, para morar no CIC, a Cidade Industrial de Curitiba. Não o CIC dos galpões e das multinacionais que aparece nas estatísticas: o CIC das ruas de terra, das casas de madeira, das famílias que chegavam do interior atrás de trabalho e montavam a vida do zero.
Os pais eram missionários. Ela cresceu numa casa onde fé não era assunto de domingo, era método de vida: a fé sem obras é morta. Ela ouviu isso em casa antes de saber o que era política, mercado ou empresa. Quando hoje fala de servir pessoas, não está adotando um discurso de campanha, está repetindo o que aprendeu na mesa de casa.
O portão da creche
Ela cresceu vendo a própria mãe no portão de uma creche, com o rosto cansado, implorando por uma vaga porque precisava trabalhar. Não tinha vaga. Não tinha apoio. Essa imagem é a cena fundadora da candidatura dela. Quarenta anos depois, é a razão pela qual a primeira bandeira desta campanha é creche. Ela não escolheu essa pauta num estudo de posicionamento, escolheu porque estava do outro lado daquele portão.
Mesmo em meio às dificuldades, os pais não deixavam de ajudar o próximo: repartiam o pouco pão que tinham com quem precisava ainda mais. A mãe ia de casa em casa ajudar outras mulheres, mães, grávidas e crianças. Levava cuidado, empatia e fé a quem já estava sem esperança, e a Rosângela Rosa estava junto, ajudando.
Aos 24 anos, dois filhos e nenhum plano B
Depois, a vida cobrou dela a mesma conta que cobrou da mãe. Aos 24 anos passou a criar dois filhos sozinha, precisando de alguém com quem deixar as crianças para poder trabalhar. Fez o que mulher nessa situação faz: foi trabalhar. Começou vendendo móveis numa loja pequena, para botar comida em casa.
Esse é o ponto de partida real da trajetória profissional dela. Não um estágio, não uma herança, não um contato de família. Uma vendedora com dois filhos em casa.
A rádio, o turismo, a empresa
Em 1986 entrou na área comercial da Rádio Scala FM e, ali dentro, subiu até a Direção Geral, ao lado do saudoso jornalista Dino Almeida. Uma mulher, sozinha com dois filhos, chegando à direção de uma rádio nos anos 80 e 90. Em 1996 assumiu a Direção Comercial da Rádio e TV Exclusiva.
Em 1998 deu a virada que definiu o resto da carreira: entrou no turismo, pela área comercial da Rede de Hotéis Mabu. É simbólico, o hotel onde ela começou no turismo é o mesmo onde lançou a candidatura, em julho de 2026.
Em 2002 fundou a própria empresa: a RVS Consultoria em Hotelaria, hoje Grupo RVS Hotéis, da qual é CEO. É ela que o Paraná procura quando uma empresa precisa levar centenas de pessoas para um evento e não pode dar nada errado. Depois veio a Elevare Tecnologia, criada para desenvolver tecnologia para o setor de turismo. Ela não administra o que já existe: ela cria o que não existe.
A provação
E então a vida a testou de novo, e dessa vez não foi no bolso. Ela enfrentou um câncer. Falaram do prognóstico difícil. Ela foi parar numa cadeira de rodas. E não só levantou: entrou andando no casamento do filho.
O que ela faz hoje
Rosângela Rosa é mentora de mulheres executivas e empreendedoras, e essa palavra, mentora, é literal: existem mulheres com nome e sobrenome que abriram negócio, cresceram na carreira ou saíram de uma situação ruim porque ela sentou com elas.
É presidente do PL Mulher Curitiba, membro do MEX, rede que reúne mulheres CEOs de grandes negócios do Paraná, e ocupa uma cadeira na Academia de Cultura de Curitiba. É membro da Primeira Igreja Batista de Curitiba. Mãe de Henrique Elias e Carlos Eduardo, avó de seis netos.
Por que ela é candidata
Ela não precisa disso. Uma mulher com mais de 40 anos de trabalho, empresa consolidada, filhos criados, seis netos e uma vida feita não entra numa eleição por necessidade.
A resposta é honesta: porque ninguém lá dentro fala pelas mulheres que ela conhece. Ela passou 40 anos vendo de perto a mulher que não consegue crédito no banco, a mãe que não consegue vaga na creche e por isso não consegue trabalhar, a empreendedora que quebra por burocracia. Ajudou essas mulheres uma por uma, e chegou à conclusão de que uma por uma não dá conta. A decisão que muda a vida de mil de uma vez é tomada na Assembleia Legislativa, não numa sala de mentoria.
